PAPA AFIRMA QUE VIDA CONTEMPLATIVA É «PULMÃO ESPIRITUAL DA SOCIEDADE»

          Visita o mosteiro de Santa Francisca Romana

          Por Roberta Sciamplicotti

 

          CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 9 de março de 2009 (ZENIT.org).- Visitando nesta segunda-feira o mosteiro das Oblatas de Santa Francisca Romana em Tor de' Specchi, durante sua visita à cidade de Roma, Bento XVI afirmou que a vida contemplativa está chamada a ser «uma espécie de pulmão espiritual da sociedade». 

          Neste dia, em que se celebra a «mais romana das santas» – da qual se está comemorando o 4º centenário de canonização, que aconteceu em 29 de maio de 2008 – o Papa aproveitou a sua visita ao Campidoglio para aproximar-se do mosteiro, onde foi acolhido pelo bispo auxiliar do Setor Centro, Dom Ernesto Mandara, e pela Madre Maria Camilla Rea, presidente do mosteiro. 

          Na Capela do Coro, após um momento de adoração ao Santíssimo Sacramento e de veneração do corpo da santa, o Papa se dirigiu às irmãs e às estudantes que residem no Centro de Acolhida Universitária. 

          Recordando seus recentes exercícios espirituais com os membros da Cúria Romana, realizados na semana passada, o Papa afirmou ter «experimentado mais uma vez quão indispensáveis são o silêncio e a oração», e pensa em Santa Francisca Romana (1384-1440), «em sua total dedicação a Deus e ao próximo, da qual brotou a experiência de vida comunitária aqui em Tor de' Specchi».

          «Contemplação e ação, oração e serviço de caridade, ideal monástico e compromisso social: tudo isso encontrou um ‘laboratório’ rico em frutos», comentou, reconhecendo que «o verdadeiro motor» de tudo o que se realizou no transcurso do tempo foi «o coração de Francisca, no qual o Espírito Santo derramou seus dons espirituais e ao mesmo tempo suscitou tantas iniciativas de bem». 

          «Vosso mosteiro se encontra no coração da cidade», disse o Papa, referindo-se à sua localização aos pés do Campidoglio, entre a basílica de Santa Maria em Araceli e as ruínas do Teatro Marcelo. 

          «Como não ver nisso o símbolo da necessidade de devolver a dimensão espiritual ao centro da convivência civil, para dar pleno sentido à múltipla atividade do ser humano?», perguntou. 

          A partir desta perspectiva, disse às monjas: «Vossa comunidade, junto com as demais comunidades de vida contemplativa, está chamada a ser uma espécie de ‘pulmão espiritual’ da sociedade, para que à atuação, ao ativismo de uma cidade não lhe falte a ‘respiração’ espiritual, a referência a Deus e a seu desígnio de salvação». 

          Este é o serviço «que fazem em particular os mosteiros, lugares de silêncio e de meditação da Palavra divina, lugares onde há preocupação por ter sempre a terra aberta ao céu». O Mosteiro das Oblatas, continuou, «tem uma peculiaridade, que reflete naturalmente o carisma de Santa Francisca Romana». 

          «Aqui se vive um singular equilíbrio entre vida religiosa e leiga, entre vida do mundo e fora do mundo. Um modelo que não nasceu em um laboratório, mas na experiência concreta de uma jovem romana, escrito pelo próprio Deus na existência extraordinária de Francisca.»

          «Não é por acaso que as paredes deste ambiente estão decoradas com imagens de sua vida, demonstrando que o verdadeiro edifício que Deus quer construir é a vida dos santos.»

          Neste contexto, o Papa recordou que também hoje «Roma precisa de mulheres inteiras de Deus e inteiras do próximo; mulheres capazes de recolhimento e de serviço generoso e discreto; mulheres que saibam obedecer a seus pastores, mas também apoiá-los e estimulá-los com suas sugestões». 

          Esta vocação «é o presente de uma maternidade que se une à oblação religiosa, a exemplo de Maria – comentou o Papa. O coração de Maria é o claustro onde a Palavra continua falando no silêncio, e ao mesmo tempo é o forno de uma caridade que impulsiona a gestos valentes, como também a uma generosidade perseverante e escondida». 

          O costume papal de visitar Tor de' Specchi pela festa da Santa, em 9 de março, foi inaugurado por Inocêncio X em 1645. A última visita anterior à de Bento XVI foi realizada por João Paulo II em 29 de abril de 1984. 

          Santa Francisca Romana fundou a Congregação das Oblatas em 1433. Para seu projeto de vida religiosa, ela se inspirou na Regra de São Bento, integrando-a a alguns costumes particulares. 

          Antecipando-se a seu tempo, quis que a casa conservasse as características de mosteiro aberto, para que suas filhas espirituais, não vinculadas à obrigação da clausura, pudessem continuar sua obra de assistência e de caridade em favor dos irmãos. Após sua morte, na noite de 9 de março de 1440, seu corpo ficou exposto à devoção pública na igreja de Santa Maria Nova, no Fórum Romano. No mesmo ano, o Papa Eugênio IV autorizou a abertura da causa de canonização. Em 29 de maio de 1608, foi elevada aos altares pelo Papa Paulo V.