El Teólogo Responde – Pe. Miguel Ángel Fuentes, I.V.E.


Não compreendo por que uma grande quantidade de sacerdotes na América Latina se opõem tão radicalmente ao Papa e o criticam tanto. Alguns argumentam que o Papa não está realmente em favor dos pobres, mas que defende os grandes capitalistas e, segundo eles, que sempre está rodeado de pessoas da Opus Dei e dos Legionários de Cristo. Eu tenho lido as encíclicas do Papa em matéria social e me parece ser tudo o contrário; quer dizer, que o Papa orienta-se em favor do pobre e cria a consciência sobre o destino universal dos bens, entre outros conselhos claramente comprometidos. Esclareça-me o fundo deste conflito ou boicote contra o Papa?


Lamentavelmente os sacerdotes que se opõem e criticam o Papa são muitos, ainda que não tanto como alguns exageradamente pensam. São herdeiros de uma má formação teológica e de um débil “sentir com a Igreja”.

Não entendem que “aonde está Pedro ali está a Igreja” (Santo Ambrósio) e “Pedro fala pela boca de Leão” (aclamação dos Padres conciliares de Calcedônia, em 451 d.C., ao se concluir a leitura da carta de São Leão Magno, Papa). O Sucessor de Pedro “é princípio, fundamento perpétuo e visível” (Lumen Gentium, 23) da unidade da Igreja universal e da unidade do Episcopado. Daí então que o ministério petrino não é um serviço que alcança as Igrejas particulares “de fora”, mas “pertencente já na essência de cada Igreja particular de dentro” (João Paulo II).

O ministério do Primado comporta uma potestade episcopal, ou seja, como bispo universal e da diocese de Roma, não é uma mera dignidade, de tal modo que tudo o que um bispo pode fazer em suas paróquias também pode fazer o Papa em todas e cada uma das Igrejas particulares do mundo; é a potestade suprema, nenhum outro possui igual ou maior poder; é potestade plena, não somente a parte principal; é imediata: pode exercê-la sobre os bispos e fiéis; é universal: sobre todos sem excluir ninguém; é ordinária: derivada diretamente de Jesus Cristo; e “pode exercê-la sempre e livremente” (Lumen Gentium, 22).

A tarefa primordial do Romano Pontífice para toda a Igreja é a promoção da unidade, que não repugna a promoção da diversificação própria da comunhão.

Todo cristão deveria fazer seu o ensinamento de Santo Inácio de Loyola: “Devemos sempre ter, para em tudo acertar, que o branco que eu vejo creio ser negro, se a Igreja Hierárquica assim o determina” (Exercícios Espirituais, 365).

Portanto, seguros de que essa é a vontade de Jesus Cristo, digamos como Dom Orione: “permaneçamos surdos quando alguém nos fale prescindindo do Papa, ou não explicitamente em favor do Papa e da sã e exata doutrina da Igreja: estes tais não são plantação do Pai Celestial, mas brotos malignos de heresias que produzem fruto mortífero”.

Recordemos sempre que, como diz também Dom Orione, “o Papa se deve amar em cruz; e quem não o ama em cruz, não o ama de verdade. Estar em tudo com o Papa quer dizer estar em tudo com Deus; amar a Jesus Cristo e amar o Papa é o mesmo amor”, já que “... amar o Papa, amar a Igreja, é amar a Jesus Cristo” (Dom Orione).

Rezemos, pois, para que o Papa seja realmente amado por todos os fiéis, sacerdotes e leigos.